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sábado, agosto 23 2008 - 09:46
PERFIL É INÉDITO NO BRASIL
FORAM FEITAS 120 PERGUNTAS PARA 1.541 JOVENS EM 168 CIDADES DO PAÍS. O RESULTADO É A MAIS COMPLETA PESQUISA DO SÉCULO
[por Ivan Finotti, editor do Folhateen]
Bayeux, Careiro e Riachão das Neves. Goianésia do Pará, Breves e Parauapebas. Zé Doca, Crateús e São Domingos do Azeitão. Os nomes podem soar estranhos, mas são apenas algumas das 168 cidades visitadas pelo Datafolha para realizar o mais completo perfil do jovem brasileiro neste século 21.
"Não há outro estudo com essa abrangência, cobertura e diversidade de temas", afirma Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do Datafolha. A abrangência se refere à pesquisa em todas as classes sociais. A cobertura é nacional, incluindo capitais e cidades do interior de todos os Estados.
Já a diversidade de temas pode ser conferida em cada uma das páginas deste caderno especial, que traz desde participação política até a sexualidade do jovem, passando por valores, sonhos, medos e hábitos de consumo. A primeira constatação da pesquisa é simples: cai por terra o clássico imaginário do jovem contestador, rebelde, engajado, participativo etc. O jovem brasileiro quer emprego.
Seus maiores sonhos são materiais: realização profissional, comprar imóvel e veículo e ficar rico. Seus principais valores são família, saúde, trabalho e estudo. E nem em temas polêmicos como descriminalização da maconha ou liberação do aborto eles se descolam do resto da população brasileira.
"É um jovem que ainda não conseguiu superar as barreiras das necessidades básicas. Só a partir daí ele abrirá a agenda para outras demandas. Revelar esse universo é extremamente importante", resume Janoni.
Há outros dados surpreendentes: o papel da igreja, o número de jovens que admitiram o uso de drogas, a taxa de meninas que disseram não serem mais virgens e a porcentagem declarada de abortos também chamaram a atenção do diretor de pesquisas do Datafolha.
"A principal razão para que esses números sejam mais altos do que os que aparecem em pesquisas semelhantes é que o Datafolha elaborou dois questionários", explica Janoni.
O primeiro, com 90 perguntas, era aplicado normalmente pelo pesquisador. O segundo, com 30 questões sobre sexo e drogas, era preenchido sozinho pelo próprio entrevistado, que não precisava se identificar. Além de não se constranger com perguntas íntimas, o jovem colocava o questionário numa bolsa lacrada, que só era aberta no instituto Datafolha, em São Paulo.
Foram entrevistados 1.541 brasileiros entre 16 e 25 anos. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Jovens trainees A maioria das reportagens do caderno "Jovem Século 21" foi feita pelos integrantes da 45ª turma do programa de treinamento da Folha. O curso durou 14 semanas e tem como objetivo selecionar jovens talentosos e ensiná-los, na prática, a trabalhar em jornal diário (leia mais em www.folha.com.br/treinamento). Nesta edição, eles foram orientados pelo editor do Folhateen, Ivan Finotti, e pela editora de Treinamento, Ana Estela de Sousa Pinto, e tiveram o trabalho coordenado por repórteres experientes, como Laura Capriglione e Antônio Gois. A 45ª turma foi patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht.
GAROTO DA CAPA RECEIA FUTURO E DIZ SER PARTE DA MAIORIA*
RICARDO ESTUDA E TRABALHA
[por Amaro Grassi, colaboração para a Folha]
"O jovem brasileiro é um sonhador", diz Ricardo dos Reis Ferreira, 20, o rosto que estampa a capa deste caderno. Talvez por acreditar nisso, tenha trocado a cidade de Conceição da Barra, litoral norte do Espírito Santo, pelo centro econômico do país. Ele veio para São Paulo em março de 2006 para "trampar" no mundo da moda.
Tendo estudado em escola pública e em busca da realização profissional, Ricardo foi abordado pela Folha em um restaurante paulistano e convidado a ser o retrato da juventude brasileira no século 21. "Faço parte da grande maioria", analisa.
Ele personifica o jovem médio cujo perfil é traçado nas próximas páginas pelos resultados da pesquisa do Datafolha.
Ricardo não pôde realizar a sua vontade inicial, mas resolveu continuar em São Paulo, ajustando seus objetivos à realidade que encontrou. No momento, trabalha e estuda relações internacionais. "O objetivo agora é terminar a faculdade."
Na posição de quem saiu do interior em direção a uma grande capital, Ricardo ainda destaca a já conhecida situação de violência "absurda" com que o jovem se depara.
A obstinação demonstrada em relação ao futuro revela a necessidade de reagir a um outro sentimento que, segundo ele, aflige a juventude no Brasil: a insegurança, resultado de uma condição econômica que torna a juventude o grupo social mais vulnerável ao desemprego. Dá "um pouco de medo em relação ao futuro", diz.
*http://www.4shared.com/file/56942975/32b6df6f/garoto_da_capa_-_pesquisa_juventude.html
realidade
A ECONOMIA SOTERROU O SONHO
JOVENS BUSCAM ATENDER NECESSIDADES BÁSICAS, COMO EMPREGO, ESTUDO E CASA PRÓPRIA
[por Vinicius Torres Freire, colunista da Folha]
Com o que sonha um jovem brasileiro? As respostas que moças e rapazes deram ao Datafolha dão a impressão de que a palavra "sonho" suscita neles mais o desejo de tratar de inquietações cotidianas, imediatas e previsíveis para cada faixa de idade. Ou de que talvez ainda seja mesmo um sonho, um devaneio esperançoso, tornar-se um profissional formado num país em que é muito minoritário o número de pessoas que se formam em faculdades.
O "maior sonho" dos jovens ouvidos pelo Datafolha é "trabalhar/formar-se" numa profissão (18%). Ter uma casa, terminar os estudos e fazer família são as outras aspirações maiores.
"Sucesso profissional/na carreira" ou apenas ter um bom emprego (fixo, com carteira, numa boa empresa, com bom salário) ocupam o segundo lugar dos maiores sonhos dos brasileiros entre 16 e 25 anos, com 15% das respostas. Para 7%, o sonho maior é fazer faculdade.
Em suma, pois, para 40% dos jovens, o sonho maior é resolver uma ansiedade compreensível e convencional para a idade -e, provavelmente, não só para essa idade: cuidar da vida, encontrar um lugar ao sol, ter um emprego decente e definir sua identidade por meio do trabalho de que gosta.
Os mais jovens, de 16 e 17, previsivelmente, sonham em se formar em determinada profissão: é o "maior sonho" para 34% deles. Para os mais adultos, de 22 a 25 anos, a resposta deriva mais para a realização profissional, "sonho maior" para 17% dos entrevistados.
Porém, para a faixa de 22 a 25 anos, a resposta mais freqüente é "ter casa/uma boa casa" (22%). No caso das moças de 22 a 25, esse é o sonho maior para 28% (16% no caso dos rapazes); para quem tem filhos, é o sonho maior de 30%. Constituir uma família e cuidar bem dela é o maior sonho para 10% dos entrevistados.
As moças mais jovens se preocupam muito mais com a educação de si próprias que os rapazes. "Fazer faculdade/terminar os estudos" é o maior sonho de 20% das meninas de 16, 17 anos e para 9% dos meninos.
A diferença de prioridades parece refletida em outra parte da pesquisa, na qual se registra a impressionante e deprimente estatística sobre o desempenho escolar: 54% dos jovens já repetiram o ano (dos que ainda estão no ensino fundamental, 76% já foram reprovados). E os números são ainda piores para os rapazes -63% deles repetiram o ano ao menos uma vez, contra 46% das mulheres.
Como contraponto, "ficar rico/ter dinheiro/comprar coisas" é o sonho maior para 13% dos rapazes, mas para apenas 5% das moças.
Os sonhos variam pouco entre as classes de renda, educação ou região onde moram os entrevistados. Os mais pobres sonham um pouco mais em ter casa; os mais instruídos sonham um pouco mais com realização profissional.
TRÊS IRMÃOS ARRUMAM TRAMPO NO MESMO DIA
[por Iago Bolívar, colaboração para a Folha]
Os gêmeos Cleuton e Cleiton Souza, de 19 anos, lutam para ser diferentes -dos colegas que viram cair na droga e no crime.
Estudantes do segundo ano do ensino médio, eles vinham buscando emprego há meses. Depois de rodarem São Paulo e se acostumarem a enfrentar filas, sua busca chegou ao fim: foram chamados para trabalhar em uma obra em frente à casa em que moram, na favela Morro Doce, a 32 km do centro. No mesmo dia, o irmão mais velho, Elton, 21, foi chamado para trabalhar em uma metalúrgica.
Agora, os gêmeos são ajudantes de pedreiro na construção de uma escola pública que vai ter o que a deles nunca ofereceu: aulas de computação. A falta de conhecimentos de informática foi o que barrou a contratação em mais de uma entrevista de emprego que fizeram.
Para juntar os R$ 4,60 do ônibus para procurar emprego, eles ajudavam o pai em uma quitanda. As viagens terminavam quase sempre em uma porta. "O segurança mandava deixar lá mesmo o currículo", diz Cleiton. "Um deles rasgou o papel assim que eu me virei", conta o irmão.
Apesar das barreiras, Cleiton havia sido chamado para oito processos de seleção neste ano. Só tinha conseguido um trabalho: empacotador em um supermercado por quatro meses.
Cada um deles ganhará R$ 754 mensais, que planejam poupar. Eles querem terminar o ensino médio e, após algum tempo de trabalho, fazer outros cursos.
ARTIGO
Contardo Calligaris
A ADOLESCÊNCIA ACABOU?
A pesquisa de hoje mostra a mesma coisa que, aparentemente, descobrimos a cada vez que sondamos os adolescentes: eles são tão caretas quanto a gente, se não mais.
Eles se preocupam sobretudo com família, saúde, trabalho e estudo. Seu maior sonho é a realização profissional -não empreendimentos fantasiosos, mas o devaneio de qualquer mãe de classe média: ser médico, advogado ou encontrar um bom emprego que lhes garanta casa própria e carro.
Em matéria de política, a maioria se posiciona à direita ou ao centro e não tem interesse em participar de movimentos sociais. Eles têm opiniões parecidas com as da média nacional: são contra a legalização do aborto, contra a descriminalização da maconha e a favor da diminuição da maioridade penal.
Sobre a pena de morte, estão divididos meio a meio.
Não são aventurosos: têm pouca vontade de viajar e estão preocupados com a violência. Na hora do sexo, têm muito medo da Aids.
Quanto às drogas, espantalho dos pais, eles preferem a que os adultos se permitem, o álcool.
Cúmulo para quem imagina que os adolescentes sejam contestatórios: em sua maioria, eles acham que o que aprendem na escola é de grande utilidade para o futuro.
Em suma, a surpresa da pesquisa de hoje não está nos resultados, mas no nosso susto ao lê-los: ainda acreditávamos numa visão cinematográfico literária da adolescência. Ou seja, supúnhamos que os adolescentes fossem insubordinados e visionários. Será que já foram e desistiram? Ou será que nunca foram, como sugere a comparação com a pesquisa Datafolha de 1998 e com outra, da revista "Realidade", de 1967?
A adolescência como época separada e específica da vida foi inventada nos anos 1950 e 1960. É nessa época que o cinema e a literatura (narrativas inventadas pelos adultos) criaram a figura do adolescente revoltado, ao qual foi confiada a tarefa de encenar as rebeldias inconfessáveis e frustradas dos adultos.
Uma explicação materialista para esse fenômeno diz que, no quase pleno emprego do pós-guerra europeu e americano, era bom que os jovens levassem mais tempo antes de chegar ao mercado de trabalho; ou, então, que um tempo maior de preparação e estudo era exigido por um mercado de trabalho cada vez mais especializado.
Outra explicação, menos materialista, diz que os adultos, na pequena prosperidade do pós-guerra, achavam sua vida um pouco chata (e era, de fato, mais do que nunca, massificada). Os adultos, portanto, sonhavam com aventuras às quais pareciam ter renunciado em troca de uma casa, um liquidificador, dois carros e uma TV. E eles inventaram a adolescência como encarnação de sua vontade de uma vida menos enlatada.
A invenção cultural da adolescência nem sequer transformou a maioria dos adolescentes em rebeldes. Mas produziu um clima suficiente para que, aos 20 anos, alguns membros da geração nascida logo após a guerra chutassem o balde que os adultos queriam, mas não sabiam chutar: contracultura, aspirações sociais, revolução sexual etc. O mundo ficou melhor para todos.
Mas foi um momento especial, em que a insatisfação reprimida dos adultos do pós-guerra delegou aos jovens uma missão quase revolucionária. Desde então, é como se a adolescência tivesse perdido sua razão de ser.
Resta, aos adultos, a expectativa de que os adolescentes corram os riscos que a gente não quer mais correr ou nunca quis, de que eles sejam nossa face audaciosa, sedenta de experiências e de terras incógnitas, generosamente preocupada com um mundo melhor. Mas é uma expectativa vaga, que se confunde com nossa vontade periódica de tirar férias.
Hoje, quais são nossas aspirações extraordinárias e escondidas? Quais os sonhos que os adolescentes defenderiam e encenariam para nós? São apenas visões de nós mesmos, um pouco mais bem-sucedidos.
O tempo da adolescência acabou. O que sobrou dele? Talvez apenas uma trilha sonora.
CONTARDO CALLIGARIS, 59, é psicanalista, colunista da Folha e autor de livros como "O Conto do Amor" (Companhia das Letras) e "A Adolescência" (Publifolha)
inquietações
MAIORES MEDOS SÃO A MORTE E VIOLÊNCIA
60% DOS JOVENS TEMEM SAIR DE CASA; 30% DO TOTAL E 49% DOS MAIS RICOS JÁ FORAM VÍTIMAS DE ASSALTO
[por Vinicius Torres Freire, colunista da Folha]
"Atenção para o refrão/É preciso estar atento e forte/ Não temos tempo de temer a morte", cantava a desgrenhada e hippie Gal Costa, 23, pouco antes da decretação do Ato Institucional número 5, o decreto liberticida da ditadura militar baixado no interminável ano de 1968. Era o refrão de "Divino Maravilhoso", canção com a qual Gal e Caetano Veloso disputavam o Festival da Record daquele ano, auge do tropicalismo e da rebelião de uma minoria dos jovens.
Quarenta anos depois, o Instituto Datafolha perguntou aos brasileiros de 16 a 25 anos sobre seus medos, sonhos, gostos, pessoas que admiram e opiniões sobre questões sociais controversas como pena de morte, aborto e drogas. Em mais uma ironia da história das ilusões sobre os jovens, de 1968 ou de 2008, moças e rapazes disseram que seu maior medo é mesmo o da morte.
Morte Em geral, as respostas da pesquisa nem sugerem muita fantasia nem idéias divergentes. Os jovens ouvidos têm a mesma opinião do que o total da população sobre a proibição do aborto, fumar maconha e também sobre a pena de morte.
Somado ao medo da perda final de parentes e outras pessoas próximas, o medo da morte representou 40% das respostas ao Datafolha.
"Atenção para o sangue sobre o chão/Atenção/Tudo é perigoso/Tudo é divino maravilhoso", cantavam Gal e Veloso, tratando, no entanto, de perigos e maravilhas na visão existencialista pop avacalhada do tropicalismo. Os perigos e o sangue muito concretos da realidade de 2008, porém, não parecem afetar tanto os jovens ouvidos pelo Datafolha.
"Violência" é o terceiro maior medo, mas foi citado por apenas 13%.
Assalto O número impressiona mais porque quase um de cada três jovens diz já ter sido assaltado. Diz ter sido vítima do mesmo crime a metade dos jovens das famílias com renda superior a R$ 4.150 por mês -dez salários mínimos.
Quando o Datafolha indaga sobre o medo de sair de casa, o quadro muda um pouco: 26% dos jovens dizem ter "muito medo" de sair de casa (18% no caso dos rapazes, 33% no caso das moças).
Mesmo assim, e obviamente, 74% dizem não ter "muito medo": 40% "não têm medo" e 34% têm "algum medo", o que dá a impressão de razoável tranqüilidade, dados os riscos de fato e a experiência real de violência dos jovens. "Muito medo" de sair de casa é mais freqüente entre os casados (34%) e com filhos (33%) do que entre os solteiros (23%) e sem fi lhos (24%). De mais intrigante, os jovens nordestinos são muito mais temerosos (33% de "muito medo") que os do Sudeste (18%).
"Desemprego" é apontado como o maior temor de apenas 7% dos jovens; o medo de não encontrar trabalho é maior entre os que têm curso superior, o que parece compreensível, dadas as ansiedades dos recém-formados.
ARTIGO
João Batista Ferreira
É PRECISO SER GENEROSO
Ao longo de minhas décadas, formei um conceito sobre a juventude. Fiz-me otimista. A base do meu olhar sobre esse extraordinário segmento da aventura humana é colhida da convivência com jovens nas salas de aula e no consultório. A amostragem é pequena, pouco heterogênea, portanto não faz ciência, até porque são complexos os vetores de uma produção cultural.
Mesmo assim, eu me fio nela e não me filio ao partido dos apocalípticos.
Juventude é o tempo da mais extraordinária revolução por que passa o ser humano. No corpo, na consciência, no campo sociofamiliar. "Não pode confiar em ninguém com mais de 30 anos." Metáfora, obviamente, que dá o que pensar.
É o segmento da vida humana de que se fala com uma acentuação quase sempre desaprovadora e pejorativa. "Avançando para trás", ouço os rótulos que marcaram as épocas por que passei, "juventude transviada, rebelde e opositiva, psicodélica, maconheira, festiva, riponga, revoltada, subversiva, drogada, alienada, geração perdida, careta" etc. Nunca se usaram jargões análogos para crianças e adultos.
Cedo aprendi a buscar uma compreensão desse momento glorioso e sofrido da alma juvenil. Dão sempre o seu recado, não sendo as gerações piores, iguais ou melhores que as outras, e sim diferentes. O que me interessa é a reviravolta que "as ondas da vez" trazem para a comunidade humana, sobretudo a partir das novas formas de linguagem e comportamento. Costumam deixar o "mundo de pernas para o ar". Há mais ganhos do que perdas.
O que há de novo na economia interna da juventude de hoje?
Pragmática, não pensa em aposentadoria, na estabilidade do emprego.Graduar-se é bom, mas não para a garantia certa da felicidade certa. Conjuga os verbos no tempo presente. Aspira a ser rica, mas não vai consumir todas as energias nisso. A fruição não pode ser adiada. A droga é normalmente usada ou para o relaxamento (maconha) ou para aumentar as energias (ecstasy). Os acontecimentos são "acontecências", ou seja, no instante mesmo em que aparecem se desvanecem.
Vinculativa, acredita em aliança amorosa que só se parte com a morte do amor ou que seja "eterna enquanto dure".
Internauta, vive on-line com o mundo, por meio da inteligência que acontece na ponta dos dedos e na logística dos games.
Caseira, onde mais mora do que vive com a família, sem autoritarismos.
Comprometida, cuida do corpo por razões de estética, sem preconceitos, e de saúde; sensibiliza- se com a natureza e é partidária da ecologia. Política não lhe faz a cabeça. A idéia de ruptura, criança versus adulto, dependência versus independência, submissão versus liberdade, continua como sempre existiu, mas faz-se de forma singular, não é violenta nem ideológica.
Inventiva, na linguagem, na música, na vida profissional. Cresce o número de "jovens empresários". No mercado financeiro, são imbatíveis.
Inquieta, a inquietação é geral, sem um foco determinado, "o sonho acabou", "a promessa é vazia", "o mundo não está nada potável", portanto "eu que cuide de mim".
Inteligente, vai surgindo uma nova forma de coleta da informação, visitando a internet mais que as bibliotecas, lendo sínteses mais do que compêndios. Ser culto é um conceito vago. Avaliar essa inteligência, impossível fazê-lo agora. Ver-se-á depois.
Generosa, o outro existe, se comparecer.
Sem culpa, nem sempre acata limites, o que deságua perigosamente no "tudo posso".
Revolucionária, como toda juventude, dá o passo seguinte do próximo pedaço da história. Algumas reviravoltas extraordinárias, conquistadas por movimentos jovens anteriores, encampadas pela geração atual, como a questão da mulher, do negro, da religião, dos costumes, da sexualidade, do casamento, habitam o universo juvenil.
Enfim, com todos os cabíveis reparos, a juventude, com "som e fúria", com dor e amor, com medo e paixão, vai dando o seu recado. Um olhar generoso é capaz de perceber que, com todos os cacoetes, o recado é bom.
Ganhamos todos...
FOLHA DE SÃO PAULO, Jovem século 21: Datafolha define quem é o brasileiro entre 16 e 25 anos, Suplemento Especial, domingo, 27 de Julho de 2008, 20p.
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