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Despedida - Julio Groppa Aquino
sexta-feira, outubro 31 2008 - 10:23



DESPEDIDA


Fazem pouco caso as horas que se vão; carregam as promessas jamais cumpridas.






Julio Groppa Aquino


 


Todas as manhãs do mundo são sem volta. Todas elas, sem volta. Todas as manhãs e tardes e noites, e manhãs outra vez. Todas e cada uma, sem volta.

Sem volta são também as madrugadas, idênticas às manhãs que as sucederam e as sucederão. Uma a uma, repetem-se em silêncio, mas se repetem estranhamente. Repetem-se invertidas, pois não voltam. Nenhum, nenhum retorno.

E sem volta são as manhãs seguintes, e todas as outras. Inapelavelmente, sem volta. Não retornam os alvoreceres, nem os meios-dias, menos ainda as meias-noites. Recusam-se a regressar os poentes, os nascentes e tudo o que jaz entre eles.

Todas as manhãs, iguais a todas as tardes, todas as noites, todas as madrugadas. Pelas metades, inteiras ou aos pedaços, elas não voltam jamais.

Não voltam os meios das manhãs, nem seus princípios, tampouco seus termos.

Manhãs maciças, fugazes, azuis ou brancas, todas se esvaem impunemente. Nunca hão de voltar seus interregnos, intervalos grávidos de tempo, espaços ocos de haver. Não voltam, não voltam.

E não voltam as manhãs de inverno, as de verão. Não voltam jamais. Tampouco retornam aquelas manhãs cálidas, parcas, para sempre perdidas na turvação da memória. E não voltarão as outras, improváveis, que ainda restam.

Fazem-nos pouco caso as horas que se vão. Vão-se e arrastam tudo consigo. Carregam as promessas nelas embutidas e jamais cumpridas. Radical e atávica impermanência. Arrastam igualmente os olhares cúmplices que as testemunharam. Impermanecem, eles, junto a suas manhãs, lado a lado. Elas que existem apenas para nos lembrar que não regressarão jamais. E não apenas as manhãs, mas as tardes, as noites e as madrugadas. Não voltam porque são sem volta. Inapelavelmente, sem volta. Não voltam e não hão de voltar.

Mas, mesmo fadadas a não voltar, elas não desapareceram ainda. Partiram agora mesmo, mas, como por engano, ameaçam voltar sob formas insustentáveis: 7:29, 11:46, 8:37, 10:15 - cifras obtusas de uma matéria crepuscular, encarnada em manhãs outrora habituais.
     
Julio Groppa Aquino Professor da Faculdade de Educação da USP

Já não voltam aquelas manhãs, nem as tardes, nem as noites, menos ainda as madrugadas. Não voltam, não voltam. Não voltam jamais. Nem uma sequer.

Todas as manhãs do mundo são sem volta. Todo gesto é sem  volta. Toda palavra é sem volta. Todo sacrifício é sem volta. Porque todas as manhãs do mundo são sem volta. Todas elas, sem volta. Pelas metades, aos pedaços ou inteiras, elas não voltam jamais.      




P.S.: À revista Educação e aos seus leitores, minha gratidão infinita.



CONTEXTO DE ORIGEM: REVISTA EDUCAÇÃO ONLINE
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12405




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hotghe
sexta-feira, março 16 2012 - 04:11
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domingo, março 11 2012 - 02:41
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Alexandra
sábado, março 10 2012 - 10:46
GRnbIcCBXds
Ne3o sei se as palavras mais adaduaqes para descrever o efeito causado pelas minhas cantorias sere3o exactamente “bene9fico e revitalizador”. Em todo o caso, sem dfavida que os disparates e tontices que me saem e0 segunda-feira (ve1, pronto, todos os dias), divertem uns e cansam outros (pais sofrem…). Os trauteios e este seu post tiveram esse efeito bene9fico em mim, je1 e9 muito bom!Verdadeiramente probleme1tico foi ter tido duas aulas das mate9rias mais complicadas — e que, em caso algum, admitem distrace7f5es — e ter dado comigo a cantarolar para dentro algumas das monday musics… Fazer o quea? c9 segunda-feira! Boa semana!
marlene
domingo, dezembro 05 2010 - 11:02
café filosófico
Uum assunto muito pertinente para os dias atuais. A educação das crianças (filhos) como educar os filhos para o viver e conviver neste mundo de contingências e imprevisõs.
marlene
domingo, dezembro 05 2010 - 11:01
café filosófico
Uum assunto muito pertinente para os dias atuais. A educação das crianças (filhos) como educar os filhos para o viver e conviver neste mundo de ontingências?
Anny
quinta-feira, outubro 07 2010 - 03:33
Artigos
Senhor Julio! Talvez para psicólogos, alunos e professores de Universidades e pessoas que nunca vivenciaram realmente o cotidiano escolar (especialmente o público, das grandes periferias) o senhor faça a diferença. Porém, são indignantes e alienados muitos dos seus textos referentes aos papéis da família e escola brasileiras, limites, permissividade, entre outros assuntos. O senhor, com todo o seu conhecimento acadêmico deveria se preocupar mais em ser humilde e entrar nas escolas para conhecer a realidade delas e assim construir junto com quem realmente vive esta realidade, alternativas que realmente venham amenizar problemas educacionais e melhorar o sistema educacional e a estrutura familiar, caóticos em nosso país. Use seus conhecimentos para realmente ajudar e não queira ensinar o que todos já sabem, mas, que por causa de um sistema falho e burocrático, que acomoda, assusta, reprime, abandona, indigna, mata sonhos e ideais, não conseguem por em prática com evidência e eficácia. Escrevo porque li um artigo seu no cielo que me indignou muito!
Lourdes
segunda-feira, outubro 05 2009 - 09:27
Comentário
Parabéns Julio Sou professora de escola pública do Paraná. Tudo que escreve me encanta, livros, artigos, poemas ... Faço especialização e o tema que estou dissertando é o uso indevido de drogas nas escolas públicas do Paraná. Tenho feito referências de seus escritos , pois,a forma como aborda a questão das drogas nas escolas vem de encontro as minhas proposta de auto-motivação e conscientização. ulisseslu@hotmail.com Gratas.
cristiani ramos ricci
terça-feira, setembro 08 2009 - 05:35
parabéns
Te parabenizo por pensares na escola como pensas. Agires por ela com ages e assim por adiante ,,, e bem adiante. Sou psicicóloga e apaixonada por escola. Gosto da escola como da minha casa. Parabéns. ramosricci@hotmail.com
Solange Vaz
segunda-feira, janeiro 12 2009 - 06:12
Julio
Sua palavra permanece, marca, dilacera, brota, floresce. Obrigada por você ter marcado as páginas da minha vida.
Tereza Cristina
quinta-feira, janeiro 08 2009 - 02:05
Blogs
Realmente caro mestre! Tudo é sem volta! Talvez esteja neste ponto a graça verdadeira,de tudo ser sem volta... Talvez um dia eu consiga escrever assim como você,ou talvez não.Importa é que você e suas aulas ficaram.Em 2009 começei a exercitar um blog,e quem sabe paragrafos curtos.Será? Nos vemos pelas linhas e leituras.Inté. cristinakapp@gmail.com
Lilian
sexta-feira, dezembro 19 2008 - 12:04
lilianpl@usp.br
Eu as adoro, as manhãs - em espeicial as de inverno. Sabe, te levo por aí comigo, e apesar dos anos, e já são muitos, ainda estou sob impacto das tuas aulas... Carrego uma vida comigo agora, e este bebê terá uma mãe melhor por eu ter encontrado pelo caminho alguém como você - Obrigada. Beijo de feliz ano novo
Angela Santana
segunda-feira, dezembro 01 2008 - 06:57
Comentário
Caro Colega Muito linda! ainda que cheia de nostalgia sua poesia nos sacode para a fugacidade do tempo. Parabéns. Angela angelacsantana@gmail.com
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